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A experiência de vida de uma pessoa revela uma profunda e contínua frustração com as dinâmicas de seus relacionamentos sociais, amorosos e de amizade, bem como com a autopercepção e a incessante busca por compreensão e solução para padrões recorrentes.

Há uma compreensão completa da necessidade de "fechamento" (closure) do cérebro, mesmo em situações onde não houve um relacionamento formal, pois a mente necessita dessa conclusão. Existe uma crítica a quem se "martiriza" por querer que alguém mande mensagem, sem aceitar que isso não implica gostar profundamente da pessoa, sugerindo que deveria-se apenas aceitar esse desejo. Outras pessoas conseguem manter suas prioridades, como a faculdade, mesmo quando interessadas em alguém, algo que se perde, pois, ao se gostar de alguém, essa pessoa se torna a coisa mais importante na vida, e todo o resto parece perder a importância. Há uma percepção de que se age dessa forma "demais", e em momentos de tédio, a mente retoma questões em aberto sem conclusão.

Em relação às amizades, experimenta-se que os outros atribuem importâncias diferentes às próprias ações em comparação às ações de outras pessoas. Os erros cometidos parecem ser magnificados, maiores do que os mesmos erros de outros, levando a questionar se "sou uma pessoa um pouco mais bosta" e se precisa-se compensar. Com algumas dessas pessoas, decidiu-se não tentar consertar ou explicar, pois não há interesse em gastar energia, já que não são vistas como amigas importantes. Contudo, essa dinâmica também ocorre com amigos muito próximos. Pessoas de fora, mas que estão dentro do círculo social, conseguem ver essa situação claramente. Ao expressar essas percepções, há o temor de ser vista como "vítima", mesmo quando se trata de questões "ridículas". Não se acredita que a questão seja ser "boazinha" ou passiva, mas algo diferente cuja causa é desconhecida. Afirma-se que se a causa fosse conhecida, a situação já teria sido corrigida.

Busca-se viver em um ambiente de paz e harmonia, sem perturbações e sem lidar com conflitos, especialmente aqueles que são considerados irracionais, ilógicos e para os quais não se tem resposta. Há um medo de que essa postura de evitar conflitos, forçando-se a sair com pessoas ou fingindo que está tudo bem, faça com que se pareça "falsa". Existe o receio de dizer "não" a um pedido simples e perder a amizade. No entanto, ao tentar ser mais sincera consigo mesma, agindo de acordo com a própria vontade (fazendo o que se quer e não fazendo o que não se quer), as pessoas se afastam e excluem de grupos. A própria ausência é percebida como mais significativa do que várias ausências de outras pessoas, o que é incompreensível.

Existe um ódio pela "zona de conforto" quando se está em uma situação ruim, pois isso é visto como sobrevivência, não conforto. Há uma proatividade na busca por soluções, e não se para até encontrá-las e implementá-las. Se a razão pela qual esses padrões acontecem fosse conhecida, já teriam sido mudados, pois a parte difícil é encontrar a causa, e a mudança em si seria fácil. Apesar de viver e perceber esses padrões por quase toda a vida, nunca se conseguiu identificar a causa. Já se tentou ser de "todas as formas possíveis", incluindo o "eu original", mas o resultado é sempre o mesmo. Há ceticismo em relação a terapeutas e psiquiatras, acreditando que eles só oferecem "coisas óbvias" que podem ser encontradas em qualquer lugar. Há um cansaço e frustração por ver o padrão se repetir sem conseguir identificar um sequer. Não importa se se mostra positiva, querendo agradar, ou com qualquer tipo de personalidade, o resultado final com as pessoas é sempre o mesmo. Essa é a única questão em aberto, causando perda de relações e desgaste emocional por situações repetitivas. Percebe-se que as pessoas têm essa percepção desde o início, e não ao longo do tempo. Embora se tenda a ser prestativa, questiona-se o que há de "tão errado nisso". Reconhece-se um padrão de agradar os outros desde a infância, acreditando que é necessário para manter as pessoas por perto. Às vezes, lembra-se que não é preciso agir assim, mas o padrão se repete. Conclui-se que talvez seja um problema que nunca será compreendido.

A frustração é intensa porque a convicção de que as relações com as pessoas são a coisa mais importante na vida é inabalável. A ausência de pessoas "legais" e com quem se esteja bem impede o próprio bem-estar. Há um medo constante de perder pessoas, que podem "criar razões" para ir embora. As relações demonstram uma tolerância muito menor e são imprevisíveis, o que é a pior coisa para quem sempre sentiu a necessidade de estar no controle. A busca por estabilidade, que nunca existiu na vida, é constante. As relações parecem imprevisíveis por questões "bestas e aleatórias" que afastam as pessoas, e muitas vezes não se carrega a culpa pela razão do afastamento, seja porque a razão é "idiota" e indiscutível, ou porque a culpa é injusta. Existe uma incapacidade de discutir ou confrontar, pois não se tem "moral" e não se confia em si mesmo o suficiente para se defender. A autopercepção do próprio valor é "nula" ou "zero", baseada puramente nas ações. O valor das outras pessoas, em contraste, não é nulo; elas são valorizadas por simplesmente existirem. A vida inteira ensinou que as ações puramente classificam a pessoa na consideração dos outros. Há ceticismo sobre a solução de "amar a si mesma", pois isso não parece mudar a dinâmica externa das relações. Já se tentou de tudo, e nada parece funcionar.

Existe um desejo de apenas "ser" e não sentir que isso não é suficiente. Sente-se a necessidade de fazer algo para ser amada em todos os sentidos, nunca podendo apenas "ser". As próprias vontades são suprimidas; a primeira reação é sempre atender às vontades dos outros. O valor pessoal que se dá a si mesma está intrinsecamente ligado a quantas vontades dos outros foram cumpridas. Há uma pressão imensa para cumprir essas vontades, pois acredita-se que isso é o que dá ou tira o valor. Afasta-se muito facilmente de pessoas quando se percebe que não será possível cumprir suas vontades. Isso gera um distanciamento emocional imenso do mundo, com pouquíssimas coisas gerando sentimento genuíno. As pessoas são descartadas muito facilmente porque não se cria laços humanos com elas, mas sim com a capacidade de cumprir suas vontades.

Uma profunda introspecção leva à pergunta "E aí?", expressando ceticismo sobre a capacidade de outros mudarem a própria mente através da fala. Somente algo totalmente desconhecido e testável seria considerado. Acredita-se ter chegado a uma "verdade" por raciocínio próprio, e que ninguém alcançou a mesma profundidade na complexidade da história. Todo o conhecimento adquirido parece inútil, pois não se sabe o que fazer com ele; a própria capacidade da mente de "entender essas coisas é o que me fode". Deseja-se "não perceber" as coisas ou viver em uma ilusão, pois a vida seria mais fácil sem questionamentos e sem a percepção constante de padrões. Não importa viver em uma mentira ou ilusão, desde que ela pareça realidade e traga paz. Nada mais consegue enganar, e a "ilusão" não é mais possível. A percepção da diferença de tratamento por parte das pessoas é o que "fodeu" a experiência. Se essa diferença não fosse percebida, não se sentiria ou pensaria nela, e o fato não existiria. A percepção pode até piorar a situação, influenciando as ações. Nunca foi da própria vontade entender os "porquês" das coisas, pois a pergunta "o que eu faço com isso?" permanece sem resposta. Há uma crítica aos terapeutas que buscam a origem dos traumas em vez de oferecer soluções concretas.

Após intensa reflexão e sofrimento, a conclusão é sempre "o que eu faço com isso?". Deseja-se ter um "botão" para "não perceber" as coisas, e preferiria viver em uma realidade virtual. Prefere-se ser iludida e ter amigas, mesmo que um dia falem mal; a dor de antecipar é pior do que o próprio evento. Acredita-se que a crença no padrão e em sua verdade (uma das verdades) afeta a lei da atração. O problema é que as pessoas querem que não se acredite no que se sabe ser verdade, mesmo que essa conclusão seja natural e não intencional. A diferença é que outras pessoas não passam pelo processo de perceber esses padrões. O pensamento sobre os padrões surge "do nada" na cabeça, e não há como evitá-lo, a não ser por uma "lobotomia". A mente coleta informações passo a passo, construindo um repertório de 20 passos futuros. Para a pessoa, é natural saber o padrão, mesmo que não seja um padrão universal. Essa percepção se aplica às amizades desde o começo, com a constante expectativa do que vai acontecer.

Há uma aceitação de um "momento pré-m****". O cansaço de se preocupar foi substituído por uma "aceitação de m****" angustiante. Essas previsões dos passos futuros não são normais. Percepciona-se que desde o primeiro passo já se sabia como tudo se desenrolaria. Utiliza-se a analogia do xadrez: como um jogador experiente que conhece as aberturas e os 20 primeiros lances, prevendo o que acontecerá, a mente tem um repertório infinito de coisas que acontecem na vida. As relações, principalmente, são muito parecidas em seus inícios, desenvolvimentos e fins. Se um "movimento inesperado" acontece, o pensamento padrão é interrompido.

É muito difícil "parar o cérebro", pois já se aceitou muitas coisas. No entanto, não se quer mais aceitar esses padrões. Afasta-se das pessoas antecipadamente, sabendo o que vai acontecer 19 passos depois. Há um desejo de fazer uma nova amiga e não achar que precise fazer algo além de "ser". Há um cansaço profundo e o desejo de apenas "ser e ponto", e que o resto "se f***". Não se quer mais entender a própria mente, preferindo "tudo menos isso". Essa percepção profunda e antecipatória é vista como uma "maldição". Acredita-se que o que não se sabe é tão poderoso quanto o que se sabe. Em troca de não saber tantas coisas, daria-se "muitas coisas".

Para um próximo passo, podemos considerar a contradição entre a busca por estabilidade e o distanciamento emocional descrito. Poderíamos explorar se há estratégias para construir conexões baseadas na autenticidade e vulnerabilidade, mesmo com o medo da imprevisibilidade e da perda, ou se o foco deve ser em aceitar a "maldição" e buscar um propósito diferente para essa capacidade de percepção aguçada.

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