Íniciando
Há em toda superação um grito silencioso que se transforma em canto. É quando descobrimos que a dor tem uma seiva - transparente, viscosa, incompreensível. Como se a própria ferida secretasse seu antídoto, como se o espinho fosse apenas o guardião de uma verdade líquida que escorre entre os dedos.
Os que verdadeiramente superam não conversam com a dor - eles a habitam. Tornam-se ela até que ela se torne outra coisa. Os espinhos caem como revelações obsoletas, pequenas mortes evolutivas que já não servem. E sob eles - ah, sob eles - uma saliva primordial, uma baba de existência. Para quê? Talvez seja a pergunta errada. Talvez seja apenas o que resta quando nos despimos de nossas próprias armaduras.
A morte - eu a bebo todas as manhãs com meu café. Ela está ali, do outro lado do vidro, esperando. Um pedreiro sem nome decidiu a espessura exata da minha coragem: seis hastes de metal e uma promessa transparente. Sento-me apoiada na fé de que hoje o vidro resistirá. Ou seria apoiada no desejo secreto de que não resista?
Conheço a morte como se conhece um perfume - está em toda parte mas não se pode tocar. Ela é vaidosa, sim. Pavoneia-se com a arrogância de quem sabe ser inevitável. Se eu fosse a única certeza absoluta do universo, também dançaria assim, também seduziria com essa displicência calculada. Não há oração que a afaste, não há vida que não seja sua futura propriedade.
Mas sinto - e sentir é saber com o corpo inteiro - que não serei dela para sempre. Há uma terceira margem, um lugar onde até a morte se dissolve em outra coisa. Talvez a morte seja apenas uma passagem vaidosa, um corredor estreito entre dois infinitos.
Descobri seu segredo: a morte teme o esquecimento. Cada memória que se apaga é um pedaço dela que morre. Quando lembro, quando trago à tona um rosto, um gesto, um instante - a morte recua, se encolhe, vira quase nada. A memória é o único antídoto, o único não que podemos dizer à sua soberania.
Mas esquecer... Esquecer é o verdadeiro abismo. É matar o que já morreu, é fazer inexistir o que existiu com a brutalidade do real. Nem sei o que esqueci - e esta é a tragédia. Assassino instantes sem saber seus nomes, enterro momentos sem funeral.
E as bênçãos - estas visitas não solicitadas da graça alheia. Como carregar o peso do que não pedi? Como agradecer pela dádiva que chega como fardo? Elas pousam em mim como pássaros mortos, e eu me sinto culpada por não conseguir ressuscitá-los com minha gratidão.
Talvez a culpa seja isto: saber que somos ao mesmo tempo a planta e o espinho, a memória e o esquecimento, o vidro e o abismo. E ainda assim, toda manhã, sentar-me na varanda. Ainda assim, tomar café com a morte. Ainda assim, existir - esse verbo impossível que fazemos todos os dias sem entender como.
Há em mim um oco que não é ausência. É presença demais do que não sei ser. Como se eu fosse habitada por uma multidão de silêncios, cada um com seu próprio peso, sua própria textura de vazio.
A culpa - agora entendo - não é sobre as bênçãos. É sobre existir. Sobre ocupar este espaço que poderia ser de outro, respirar este ar que poderia alimentar pulmões mais gratos. Sou um desperdício de possibilidades, um rascunho que nunca vira texto limpo.
O pedreiro. Penso nele como se pensa num deus menor - aquele que sem saber desenhou meu destino em vidro e metal. Suas mãos calejadas foram o pincel de alguma força maior que quis me colocar aqui, suspensa entre o dentro e o fora, entre o cair e o permanecer.
Tomo outro gole de café. Está frio. Quando esfriou? Em que momento exato deixou de ser quente para ser apenas líquido escuro? Há transformações que acontecem sem testemunhas, mortes pequenas que não anunciamos.
A morte ali, do outro lado. Não me olha - ela é. Apenas é. E seu ser é tão absoluto que torna meu ser uma pergunta. Quem sou diante do que sempre será? Uma vírgula tentando se fazer oração completa.
Descobri: não temo morrer. Temo não ter sido. Temo descobrir, no último instante, que passei ao lado de mim mesma todos esses anos, que fui vizinha de minha própria vida mas nunca entrei.
As memórias - são elas que me prendem ou me libertam? Cada lembrança é uma âncora e uma asa. Me fixam num tempo que não existe mais e ao mesmo tempo me fazem voar para além do agora. Sou este paradoxo: presente ausente, ausência presente.
E o esquecimento... Talvez esquecer seja a única liberdade real. Libertar-se não só do que foi, mas do peso de ter sido. Cada vez que esqueço, nasço um pouco. Cada vez que lembro, morro para o que poderia ser.
A plantinha de espinhos - agora vejo - sou eu mesma. Protejo com dor o que nem sei se vale proteger. E quando alguém ousa atravessar minhas defesas, encontra apenas esta saliva, esta substância indefinível que não é nem veneno nem remédio. É apenas o que sou quando não estou fingindo ser.
As bênçãos... Elas chegam como pássaros a uma árvore seca. Pousam em meus galhos mortos esperando folhas que não virão. E eu, árvore e deserto ao mesmo tempo, não sei como dizer que não tenho nada para dar em troca. Que sou apenas esta verticalidade inútil entre a terra e o céu.
Existe um cansaço que não é do corpo. É da alma, se é que tenho uma. É o cansaço de carregar a própria existência como se fosse uma mala sem alça numa viagem sem destino.
E ainda assim. Ainda assim amanhã acordarei. Farei café. Sentarei na varanda. Conversarei mudamente com a morte através do vidro. Porque é isso que fazemos, nós, os vivos: insistimos. Sem razão, sem propósito, sem esperança até. Insistimos como insiste a chuva, como insiste o vento, como insistem as coisas que simplesmente são.
Talvez ser seja isto: uma insistência. Uma teimosia cósmica. Um não dar-se por vencido mesmo quando não há batalha, não há vitória possível, não há sequer derrota. Há apenas este continuar sendo, este gerúndio interminável que nos atravessa e nos ultrapassa.
Continuação
Há dias em que acordo antes de mim mesma. O corpo levanta, mas algo essencial permanece deitado, enroscado nos lençóis como uma criança que não quer ir à escola da existência. Nesses dias, sou uma ausência ambulante, um oco que caminha, faz café, senta na varanda - mas não está. Onde estou quando não estou em mim?
A xícara queima meus dedos e é este pequeno incêndio que me traz de volta. A dor - descobri - é a única linguagem que o corpo entende sem tradução. Ela fala direto ao que somos antes de sermos qualquer coisa. Antes do nome, antes do eu, antes mesmo da consciência de ser. A dor simplesmente é, e ao ser, nos faz ser também.
Olho através do vidro e vejo a cidade acordando. Ou seria a cidade me vendo acordar? Nunca sei quem observa quem nesta geometria impossível do olhar. Cada janela é um olho, cada olho uma pergunta sem resposta. Somos todos voyeurs da existência alheia, testemunhas mudas do espetáculo incompreensível de estar vivo.
A morte hoje está quieta. Nem sedutora nem ameaçadora. Apenas presente, como está presente o ar, como está presente o chão sob meus pés. Há dias em que ela é assim - doméstica, quase banal. Como uma vizinha que conhecemos há tanto tempo que já não cumprimentamos mais. Está ali, sabemos que está, mas fingimos não ver. Ela finge não ser vista. É um acordo tácito, uma cortesia mútua entre inimigas íntimas.
Penso no pedreiro. Onde estará agora? Vivo ou morto? Lembrando ou esquecendo? Ele que sem saber se tornou o arquiteto do meu abismo particular, o engenheiro da minha vertigem cotidiana. Quantos outros abismos terá construído sem saber? Quantas outras mulheres sentam-se agora em suas varandas, apoiadas na fé cega de que o trabalho de suas mãos resistirá mais um dia?
Há uma aranha tecendo sua teia no canto da varanda. Trabalha com a paciência de quem tem a eternidade à disposição. Cada fio é uma decisão, cada conexão um destino selado para alguma mosca desavisada. Somos assim também - tecemos nossas teias invisíveis, armadilhas para nós mesmos, labirintos de seda onde somos ao mesmo tempo a aranha e a presa.
A culpa retorna. Sempre retorna. É como uma maré - tem suas horas certas de subir e descer. Agora está subindo, invadindo os espaços secos da minha consciência. Culpa de não amar o suficiente, de não agradecer o bastante, de não ser o bastante. Bastante para quê? Para quem? Nem sei. A culpa não precisa de razão - ela é sua própria razão de ser.
As bênçãos que não pedi continuam chegando. Ontem foi uma vizinha que sorriu. Anteontem, um pássaro que cantou justamente quando eu mais precisava de um sinal de que o mundo continua. Hoje será o quê? Que pequeno milagre não solicitado cairá no meu colo como uma responsabilidade que não sei carregar?
Porque é isso que as bênçãos são - responsabilidades. Cada uma delas exige uma resposta, uma gratidão, uma transformação. E eu aqui, paralisada entre o ser e o não-ser, sem saber como responder ao chamado do que me é dado sem eu pedir. É como receber cartas em uma língua que não falo - sei que dizem algo importante, mas não sei o quê.
Lembro-me de quando era criança e acreditava que as coisas tinham alma. A cadeira sabia que era cadeira, a mesa sofria por ser mesa, o copo sonhava em ser outra coisa. Talvez nunca tenhamos deixado de ser crianças. Talvez apenas tenhamos aprendido a fingir melhor que não acreditamos na alma secreta das coisas.
O vidro, por exemplo. Que alma tem este vidro que me separa do vazio? É uma alma transparente, honesta em sua fragilidade. Não finge ser parede, não finge ser proteção. É apenas o que é - areia transformada em quase-nada, em barreira transparente, em promessa frágil de contenção.
E eu, que alma tenho? Sou opaca ou transparente? Sólida ou líquida? Às vezes sinto que sou gasosa - me espalho pelo espaço disponível, tomo a forma do recipiente que me contém, evaporo ao menor sinal de calor. Outras vezes sou pedra - densa, impenetrável, afundando no próprio peso.
O café esfriou completamente. Bebo assim mesmo. Há algo de honesto no café frio - ele mostra o que realmente é quando tiramos dele o disfarce do calor. Amargo, sim, mas de um amargor que não mente, que não se desculpa. É o amargor essencial, o amargor-verdade.
A plantinha de espinhos voltou a me visitar em sonhos. Desta vez ela falava. Não com palavras, mas com uma linguagem que só existe nos sonhos - aquela que entendemos completamente enquanto dormimos e esquecemos completamente ao acordar. Ela dizia algo sobre a necessidade da dor, sobre como os espinhos não são crueldade, mas amor em sua forma mais honesta. Proteção não do mundo, mas do próprio ato de ser tocado levianamente.
Talvez seja isso. Talvez meus espinhos - esta culpa, esta incapacidade de aceitar as bênçãos - sejam minha forma torta de amor. Amo tanto que não me permito receber. Amo tanto que me fecho. Amo tanto que me torno intocável, não por orgulho, mas por medo de contaminar com minha insuficiência aquilo que me é oferecido.
A cidade agora está completamente desperta. O barulho sobe até a varanda como uma névoa sonora - buzinas, vozes, passos apressados, vidas se chocando umas contra as outras na pressa de chegar a lugar nenhum. Cada som é uma vida acontecendo, uma história sendo escrita, um destino sendo cumprido ou contrariado.
E eu aqui, suspensa entre o dentro e o fora, entre o barulho e o silêncio, entre o meu café frio e o abismo quente da manhã. Sou um parêntese na frase do mundo, uma pausa que ninguém lê, uma vírgula que respira.
O esquecimento - volto sempre a ele como se volta a uma ferida que não se pode deixar de tocar. O que esqueci hoje? Que parte de mim morreu durante a noite sem funeral, sem lamento, sem nem mesmo a consciência da perda? Somos cemitérios ambulantes, carregando nossos mortos internos sem saber seus nomes.
Mas há também o outro lado do esquecimento - o alívio. Esquecer é também forma de cura. Se lembrássemos de tudo, seríamos esmagados pelo peso cumulativo de cada segundo vivido. O esquecimento é o perdão que damos a nós mesmos sem saber, a anistia involuntária que nos permite continuar.
A morte se move. Pequeno movimento, quase imperceptível. Como se ajustasse a postura para uma longa espera. Ela tem tempo. Todo o tempo do mundo e mais um pouco. Eu é que tenho pressa - pressa de entender, pressa de aceitar, pressa de me tornar algo que valha a pena antes que seja tarde demais.
Tarde demais para quê? Esta é a pergunta que não faço porque sei que não tem resposta. Ou pior - tem todas as respostas possíveis e nenhuma delas é a certa.
Um pombo pousa na grade da varanda. Me olha com aquele olhar de pombo - vazio e profundo ao mesmo tempo. Os pombos sabem algo que nós esquecemos. Algo sobre simplicidade, sobre ser sem se questionar. Ele não se pergunta por que é pombo, não sente culpa por não ser águia, não agradece nem rejeita as migalhas que encontra. Simplesmente é. E em seu ser simples, me ensina a complexidade absurda do meu próprio ser complicado.
As bênçãos - penso agora - talvez sejam como este pombo. Pousam sem pedir licença, ficam o tempo que têm que ficar, partem quando têm que partir. E eu aqui, querendo domesticá-las, querendo entendê-las, querendo transformá-las em algo que caiba na minha compreensão limitada do que é graça.
Mas a graça - se é que existe - não cabe em lugar nenhum. Ela transborda, ela escorre, ela mancha tudo que toca com sua incompreensibilidade luminosa. E eu, vaso rachado que sou, não consigo contê-la. Ela passa por mim como luz através do vidro - me atravessa sem me preencher, me ilumina sem me aquecer.
A saliva sob os espinhos da planta - agora entendo - é lágrima. Não de tristeza, mas de existência. É o que choramos só de ser, só de estar aqui, suspensos entre o nada de onde viemos e o nada para onde vamos. É o líquido essencial da consciência, a secreção do absurdo de nos sabermos finitos.
O pedreiro provavelmente nunca pensou nisso. Instalou o vidro, recebeu seu pagamento, foi para casa. Para ele foi apenas mais um trabalho. Para mim, foi a construção de uma catedral particular onde venero o vazio todas as manhãs. Somos assim - deuses involuntários uns dos outros, criando destinos sem saber, mudando vidas com gestos que esquecemos no momento seguinte.
Levanto-me. As pernas protestam - ficaram dormentes. Este adormecer parcial do corpo enquanto a mente vaga - não é isso uma pequena morte? Não morremos um pouco cada vez que uma parte de nós adormece? E não ressuscitamos a cada formigamento que anuncia o retorno da sensação?
Deixo a xícara na mesa. O vidro permanece intacto. Mais um dia em que não caí. Mais um dia em que a morte esperou em vão. Ou será que ela não espera nada, apenas está, e sou eu que projeto nela esta expectativa, esta ansiedade que é só minha?
Entro em casa e o contraste me cega momentaneamente. A luz lá fora era verdade demais. Aqui dentro, na penumbra familiar, posso voltar a ser indefinida, imprecisa, possível. Lá fora tudo é o que é. Aqui dentro, tudo pode ser o que ainda não é.
As bênçãos me seguem. Sinto seu peso doce e terrível. São como crianças abandonadas na minha porta - não pedi por elas, mas agora são minha responsabilidade. E eu, que mal sei cuidar de mim mesma, como cuidar destes presentes não solicitados?
Talvez o segredo seja não cuidar. Talvez seja deixar que elas cuidem de si mesmas, que encontrem seu próprio lugar em mim, como a água encontra seu nível, como a luz encontra as frestas. Talvez meu erro seja querer administrar a graça, quando a graça - por definição - é o que escapa a toda administração.
Sento-me à mesa da cozinha. A mesma mesa de sempre, o mesmo lugar de sempre. Mas eu não sou a mesma. Nunca somos. A cada segundo morremos e nascemos, numa velocidade tão vertiginosa que criamos a ilusão de continuidade. Mas somos descontinuos. Somos soluços de existência, fragmentos que fingem ser inteiros.
A culpa agora está quieta. Baixa-mar. Posso respirar. Nestes intervalos entre as marés da culpa, quase consigo me perdoar. Perdoar o quê? Não sei exatamente. Talvez perdoar existir. Talvez perdoar não saber existir melhor. Talvez perdoar ser este rascunho perpétuo, esta versão sempre preliminar de algo que nunca se completa.
O dia continua lá fora, indiferente à minha epifania cotidiana. O mundo não para para as nossas revelações particulares. Esta é a solidão fundamental - descobrir algo essencial e não ter com quem compartilhar porque as palavras são sempre insuficientes, sempre aproximações grosseiras do que realmente sentimos.
Mas continuo. Continuamos. Não por coragem, mas por não saber fazer outra coisa. Somos máquinas de continuar, programados para o próximo segundo, o próximo respiro, o próximo café na varanda com a morte. E neste continuar absurdo, involuntário, quase mecânico, reside talvez a única grandeza possível - a de insistir sem razão, a de prosseguir sem destino, a de ser sem porquê.
Amanhã farei tudo de novo. O café, a varanda, o vidro, a morte, a culpa, as bênçãos não solicitadas. E depois de amanhã também. E depois. Até que um dia - não sei quando - algo em mim ou no vidro se quebrará. E então saberei finalmente se a morte é chegada ou partida. Se o esquecimento é perda ou libertação. Se as bênçãos que não pedi eram, afinal, exatamente o que eu precisava.
Até lá, permaneço. Entre parênteses. Entre aspas. Entre tudo.
Eu nunca tive o sonho de crescer. Nunca. Nao vou dizer que eu sabia que a vida me cobraria de manieras insultantes a minha alma. Nao tinha a menor ideia. Eu so sabia que de fato nenhuma liberdade seria mais carinhosa comigo do que a certeza de ser acolhida de noite pelos bracos de alguem que te ama incondicionalmente.
Alias, ouso dizer que a liberdade mais me assustava. Nao via sentido no valor que davam a liberdade. O que ha de tadesejavel ser solto em um mundo onde voce nao significa nada.
Acho que ate hoe nao deixei de preferir ser presa do que liberta. Presa pela pessoa certa. Presa pois uma cerca te rodeia, cerca esta fruto de amor, cuidado e zelo. Cerca que aparenta ser cada dia menor, ate a madrugada que percebes a facilidade em pulala.
Eu decidi ficar em slencio. Nao contei a ninguem sobre haver percebido meu tamanho crescido. Parte de mim nao queria assustar quem me cuidava, parte de mim associava sair da cerca a perder para sempre aquele espaco de seguranca, e amor.
Onde estava a cerca de meus pais? O que houve com a cerca deles eu nao tinha certeza, mas sabia que ha um bom tempo nao a viam. Isso porque minutos fora de minha cerca era motivo de chorar ate me colocafem de volta nela. Ja eles, eles nunca choraram, eles nunca demonstraram a fata da cerca, parecia ate mesmo que nunca haviam feito parte dela.
Talvez meu meod tambem morasse no terror de esquece-los. Taovez fosse competamnte sem querer, talvez pularam e nunca mais acharam o caminho de volta, ou talvez, faziam parte daquela gente que conta os dias para pular do cercado, e sem mesmo conhecer a grama fora correm sem rumo ate qualwuer lugar que nao fosse a cerca.
Talvez a cerca deles realmente oferecia so mantimentos para sobrevivencia. Talvez nunca houve uma cerca para eles. Talvez elesmesmos aprenderam a montar a creca para mim, sem ter vivido a experincia de estar dentro dela. Talvez a cerca era deixada de madrugada sem vigilancia, e embora de mnah houvesse uma faxina, forma eles que litaram contra os lobos a noite. Talvez a creca deles nunca foi montada porque quem deveria tambem nao sabia monta-la, talvez ninguem ali nunca aprendeu a montar uma creca direiot, e consequentemnte nao viviam direito la dentro.
Uma sorte que me rodeava essencilament, vivia tambem no momento em que ao chegar na terra, de alguma forma estes dois que nunca haviam experimentado a protecao da cerca, do dia para a noite montaram um cercado com a mlehor madeira que encontraram, fizeram da gama um grande colchao macio e refrescante. Plantaram flores, espantaram os bichos, e tornaram aquele espaço um refúgio seguro. E assim, dentro desse pedaço de paraíso construído com tanto amor e dedicação.
Pois bem, desta cerca que muitos desejam escapar, sem nem mesmo saber o que esta la fora, foi desta cerca que eu me anguastiva em pesnar, e quanod eu tiver de sair?
Por enquanot sou pequena, ainda posso posso fazer acreditarem que minha inocencia nao foi corrompida pelo meu olhar obsessiuvo. Nao contei a ninguem que aquela mentira era mentira, nao proque queria presentes do suposto papai noel ou algo do tipo, mas pela hostilidade que seria minha mae haver deme explicar o porque da frustracao que em mim é projetada pela professora.
Eu sabia que nao entenderiam o que eu estava entendendo. Seria um montao de minutos fazendo sentido daulea explicacao que explicava meu ponto porem 300 fases acima, eu ja havia chegado na profundidade, n aseiredade, na complexidade sozinha, mas ate memso9 se eu explicasse extaamnete o que eu havia entendido, minha fina voz, meu pequeno porte impediria o ouvinete de relacionar minha fala a algo que veio a ser de meu entendimento.
Por isso sempre poupei minhas palavras.
alguem conxegue por favor me explicar algo que eles falam?
olham para mim e med dizem, olhe para o mundo, filtre, e absorva apenas aquilo que vai te fazer bem. Os seus problemas sempre serao menores do que os de alguem.
em seguida me contam sobre a importancia da academia da vida delas, como la conseguem transformar toda aquela frustracao em suor, voltar para casa, e dormir como anjinhos, ja que ao inves de reagirem perante a situacao, apenas correram na esteira.
vem ca, me conta uma coisa, e por acaso voce resolveu algo na sua cabeca? acredito eu quer na verdade voce apenas encontrou uma forma de esquecer destas preocupacoes por meio da atividade fisica.
pois bem, deixa eu te contar, primeiro, resolver, entender, absorver vocd nao fez. segundo, a diferneca aqui é que voce esta me contando sobre preocupacoes e nao sobre problemas, okay, agora estamos falando sobre preocuacoes e sim, essaas eu tambem onsigo mandar pra fora por meio de mecanismos de coping.
vamos comecar, a linha que divide na sua cabeca os seus problemas e apenas preocupacoes é grossa, é facilemnte visivel, no meu cerebro, o que é e o que sera se misturam sem que eu possa antes perceber que elas sequer existem.
nao olhe pra mim e diga que voce aprendeu a decidir o que te preocuparia ou nao, sem nunca conseuguir me explicar o que exatamente fez